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Conselho Municipal de Saúde aprova retirada do sistema drive thru da vacinação em Natal


Em meio às denúncias de pessoas furando fila na campanha de vacinação desenvolvida pela prefeitura do Natal, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) aprovou nesta terça-feira, 26, uma série de medidas para coibir essa prática e garantir a ampliação do público de profissionais que atuam nas mais diversas atividades da área da saúde. Entre as medidas, a imediata homologação da resolução apresentada pelo Sinsenat que reivindica a apresentação do Plano Municipal de Imunização contra a Covid-19, ampliando os grupos prioritários, a retirada do sistema drive thru e garantia de estrutura para utilização do sistema RN Mais Vacina.


Com a presença do Ministério Público, Defensoria Pública e Procuradoria da Saúde, os Conselheiros discutiram a necessidade da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) garantir os meios para que seja feita a alimentação do sistema desenvolvido pelo Governo do Estado, em parceria com o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A perspectiva é que com o acompanhamento em tempo real, a utilização da plataforma pela prefeitura ofereça mais transparência ao processo e controle social aos gestores responsáveis.


Além disso, foi feita uma solicitação aos órgãos de controle externo. Os conselheiros pediram para que o Ministério Público do Rio Grande do Norte, Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho procedam investigação imediata em relação a todos os casos de fura fila já comprovados nas redes sociais, buscando a responsabilização e as punições para todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para a ação.


Outro ponto bastante debatido foi a inclusão dos profissionais da rede da Atenção Básica na atual fase de imunização, bem como como vacinador em qualquer etapa do plano. Na semana passada, em um depoimento emocionado, Meine Alcântara, enfermeira há 26 anos, lembrou que a unidade em que trabalha foi a primeira a sentar e conversar sobre como seriam feitos os atendimentos aos pacientes sintomáticos respiratórios. “Desde março até agora estão todos trabalhando. Por que fomos excluídos? Temos profissionais de saúde com experiência nas salas de vacina, com armazenamento, com manuseio e administração das vacinas”, ressaltou.


“Ficamos estupefatos quando soubemos que as nossas salas, nossos técnicos não estariam vacinando”, afirmou Meine ao lembrar ao secretário municipal da Saúde, George Antunes, que a atenção básica é coordenadora e ordenadora do cuidado. “Vocês nos colocaram à margem, mas se não fosse a atenção básica não aconteceria o SUS. O que deve ser feito é colocar as vacinas nas unidades básicas”, pontuou. Para a enfermeira, não há como capacitar alguém para aplicar vacina em um dia apenas.


As distorções na operacionalização do plano foram atribuídas pelos conselheiros ao modelo de vacinação desenvolvido pela prefeitura de Natal por drive drive thru e não nos locais de trabalho, já que as doses recebidas só deveriam atender os profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à doença, bem como aos idosos atendidos em instituições de longa permanência (como abrigos). “As denúncias recebidas comprovam o questionamento feito pelas entidades sindicais sobre esse formato escolhido pela prefeitura. Por que não vacinar as pessoas nos locais de trabalho? A quem interessa isso?”, questionou a coordenadora do Sinsenat, Soraya Godeiro.


Dessa forma, o CMS aprovou a retirada da vacinação do sistema drive thru. Os conselheiros querem que a imunização seja realizada nos serviços e locais de saúde, argumentando que o plano operacional de vacinação é feito por grupos prioritários e cronograma das fases.


Ao final, foram ainda solicitadas a inclusão da população em situação de rua e da pessoa com deficiência e seu/sua cuidador/a entre os grupos prioritários.

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