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Campanha de imunização não contará com voluntários da Semtas e resolução do CMS sobre plano será pub


O Conselho Municipal da Saúde obteve duas importantes vitórias nesta quinta-feira (21). Será publicada em Diário Oficial a resolução apresentada pelo Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Natal (Sinsenat) e aprovada pelos conselheiros em dezembro do ano passado, referente ao plano municipal de vacinação. Além disso, a campanha de imunização em Natal não contará mais com os voluntários lotados na Secretaria Municipal de Assistência Social (Semtas).


A decisão foi anunciada pelo secretário municipal da saúde, George Antunes, em reunião do CMS, realizada remotamente na tarde desta quinta com a presença da promotora de Saúde Raquel Batista de Ataide e da procuradora regional do Trabalho Ileana Neiva Mousinho.


Em mais de seis horas de discussão, os conselheiros, entre eles servidores que atuam nas mais diversas áreas da saúde, levantaram as principais preocupações e problemas enfrentados pelo plano de operacionalização da vacinação da capital potiguar. Desde o primeiro dia da campanha, há denúncias de pessoas que furaram a fila de imunização e receberam a primeira dose da vacina sem estar na linha de frente do combate à covid-19. Os casos estão sob investigação do Ministério Público do Rio Grande do Norte.


“Não foram casos isolados. Mas uma articulação de gestão”. A afirmativa da coordenadora do Sinsenat, Soraya Godeiro, refere-se aos casos denunciados de cargos comissionados da Semtas que furaram as filas de vacinação no primeiro dia da campanha de imunização em Natal.


Apesar de reconhecer o erro, que classifica como “falha grosseira”, o secretário municipal da Saúde, George Antunes, admite a existência de lista com nomes de pessoas elaborada pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semtas). Essas pessoas integrariam a equipe voluntária contratada para aplicação da vacina. Contudo, a própria SMS não incluiu entre os critérios de prioridade esses profissionais no primeiro momento da fase 1, que precisariam comprovar registro como técnico de enfermagem e não ocupar cargos administrativos da gestão municipal.


O problema é que com um quantitativo de 12.235 doses enviadas pelo Ministério da Saúde, por problemas logísticos e diplomáticos do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), insuficiente para atender até mesmo todos os profissionais que integram a equipe multidisciplinar de 35 mil profissionais da área da saúde, os erros significam deixar pessoas que estão atuando no combate à pandemia de fora, como os profissionais da atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS).


“Ficamos estupefatos quando soubemos que as nossas salas, nossos técnicos não estariam vacinando”, afirmou Meine Alcântara, enfermeira há 26 anos. Em um depoimento emocionado, ela lembrou que a unidade em que trabalha foi a primeira a sentar e conversar sobre como seriam feitos os atendimentos aos pacientes sintomáticos respiratórios. “Desde março até agora estão todos trabalhando. Por que fomos excluídos? Temos profissionais de saúde com experiência nas salas de vacina, com armazenamento, com manuseio e administração das vacinas”, ressaltou.


Meine lembrou ao secretário que a atenção básica é coordenadora, ordenadora do cuidado. “Vocês nos colocaram à margem, mas se não fosse a atenção básica não aconteceria o SUS. O que deve ser feito é colocar as vacinas nas unidades básicas”, pontuou. Para a enfermeira, não há como capacitar alguém para aplicar vacina em um dia apenas.


As distorções foram atribuídas pelos conselheiros ao modelo de vacinação desenvolvido pela prefeitura de Natal por drive through e não nos locais de trabalho, já que as doses recebidas só deveriam atender os profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à doença, bem como aos idosos atendidos em instituições de longa permanência (como abrigos). “As denúncias recebidas comprovam o questionamento feito pelas entidades sindicais sobre esse formato escolhido pela prefeitura. Por que não vacinar as pessoas nos locais de trabalho? A quem interessa isso?”, questionou Soraya.


Soraya lamentou que depois de uma luta árdua travada pela conquista da vacinação, tenhamos que conviver com o desrespeito aos servidores que desde o início da pandemia no Brasil, em março, estão atuando nos locais de combate à pandemia em Natal, pessoas que estão enfrentando o risco diário de contaminação pela atuação direta com o coronavírus, você imunizar jovens que não tem o perfil para receber a vacina nessa fase”.


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